terça-feira, 18 de novembro de 2008

Nasceu

no dia 9 de Novembro de 2008, às 12h14, com 3310 Kg e 49 centímetros. Faz questão de agarrar o dedo da mãe enquanto está a mamar. Gosta de se aninhar no colo da mãe como se ainda estivesse na barriga e de ficar a dormir assim. Foi amor à primeira vista: chorei e ri de uma felicidade que nunca tinha experimentado, quando o vi pela primeira vez.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Eu convido as amigas para jantar e ele, que vai estar a trabalhar, oferece-se para deixar tudo pronto (é só levar ao forno) e ainda me dá indicações sobre as garrafas de vinho mais indicadas para a refeição.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Quando são eles também vale?

O P. passou a tarde em limpezas profundas à sala e ao quarto do João, depois de ontem eu ter tentado dar à casa o jeitinho que uma barriga de nove meses permite e ter acabado o dia sem conseguir mexer a anca. Não é que ele não costume ajudar na limpeza, ou que não a faça sozinho. Mas hoje está particularmente empenhado e silêncioso (nem música para distrair, nem protestos de irritação, nada) e eu pergunto-me se quando são eles que ficam com uma vontade destas de "fazer o ninho" também é sinal de que o parto está para breve?

Farta?

A Dora diz que um dos factores de sucesso para um parto é estar farta de estar grávida e eu apercebi-me de que não sei bem se estou farta ou não. Estou absolutamente enorme, tão enorme que, esta noite, gemi ao virar-me na cama e o P., ainda acordado no sofá da sala, correu para ver o que se passava. Acho que só gemi um bocadinho, e nem tinha dado conta, mas depois de ele me contar percebi que foi ao virar-me, porque, minhas amigas, não é só a barriga que pesa, as ancas e arredores também ganham um peso diferente nesta última fase da gravidez. Estou com 37 semanas e dois dias de gestação e o João já deve ter cerca de 3 quilos. Apetece-me vê-lo e tocar-lhe, mas tenho um bocado de medo do vazio que vai ficar no meu corpo quando os pezinhos dele deixarem de andar aqui a brincar. Estou cansada de não conseguir descansar com esta barriga, mas sei que não é depois que vou andar por aí a relaxar. Por isso, enquanto ele não decide nascer, vou-me dividindo entre um estou farta e não estou, que na verdade é só uma estratégia para me enganar e não ficar insuportavelmente ansiosa.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A barriga

Não quero crer que só agora a minha barriga se tenha tornado uma barriga de grávida sem sombra para dúvidas (será que até aqui andaram a achar que estava apenas gorda?). Mas hoje toda a gente pareceu reparar na barriga de 35 semanas. Na aula de yoga: "Está quase, não está?", "Já falta pouco, não é?". Eu, a sorrir, praticamente sem dizer nada. Elas continuaram: "Pois é, nota-se pela barriga", diz uma; a outra: "E pela cara, vê-se na cara" (aqui tive de dar o braço a torcer, embora me tivesse limitado a continuar a sorrir meia enjoada, porque, realmente, não me basta ter o nariz inchado, ainda está brilhante como se lhe tivessem puxado o lustro). No fim da aula, juntaram-se as alunas que estavam de saída com as que estavam a chegar, e o filme recomeçou, para muito pior - o balneário transformou-se numa algazarra de mulheres a falar sobre experiências do parto que eu não queria ouvir. Não sei se se percebeu que quase fugi. Quando me julguei a salvo, no supermercado, a menina da caixa resolve meter conversa: "Eh lá, está de esperanças... Está com uma barriguinha... Está quase, não é? E sente-se bem?". Eu sinto, tenho os pés que parecem uns balões e não me apetece estar aqui de pé, dava tudo para não ter de carregar estes sacos para casa, porque parece que tenho os ossos da anca a alargar e provavelmente tenho mesmo, mas o que me está mesmo a afligir é que toda a gente queira ter uma palavra a dizer sobre este assunto.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A bochecha

A médica bem procurou, bem me agitou a barriga para ele se mexer. Ele mexia-se, mas não nos fez a vontade: não mostrou a cara. Deu para ver um bocadinho, uma bochecha. No fim da ecografia, eu e o pai não tivemos de dizer nada um ao outro - ambos tínhamos reparado naquele bocadinho de bochecha fofinha e foi disso que falámos a seguir. Disso e do quase-fanico que tive, ali deitada de costas, de repente uns calores que já não conseguia dizer mais nada...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Medos

Primeiro tive medo do parto - ainda estava nos primeiros meses de gravidez e já andava a ver vídeos de nascimentos (a Internet tem mesmo de tudo). Depois passou, e comecei a ter medo do pós-parto, mas numa perspectiva egoísta da coisa - será que vou estar confortável, será que me vai doer, será que me vou sentir bem no mesmo quarto com desconhecidas, será que vou conseguir dormir, será que vou ter fome de noite. Há umas semanas, pela primeira vez, tive o primeiro pânico com a reviravolta que a minha vida vai levar: quando ele nascer vou deixar de ser só eu. Durante muito tempo vou ser sempre eu e ele, e passado muito pouco tempo vou ter de ser eu, ele e o trabalho em casa. Hoje, novo medo: será que vou conseguir vesti-lo, e pegar nele, e dar-lhe banho, e mudar-lhe a fralda, e perceber-lhe os choros, e todas essas coisas relacionadas com um ser tão pequenino...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Os pés

A quem se interroga como sobreviveram os meus pés ao casamento, aqui vai:
A chuva de quinta e sexta-feira deixou-me ainda mais sem alternativa - o único par de sandálias que me servia (se é que se pode chamar sandália a uma coisa que tem pouco mais do que duas tiras) deixou de ser uma opção. Tive de recorrer aos tais sapatos que tinha experimentado e onde me parecia que os meus pés não ficavam tão mal - tive uma semana de trabalho tão complicada que não deu tempo para pensar em mais nada e muito menos para calcorrear lojas à procura de melhores soluções. Entre um trabalho e outro, parei o carro na zona de Cedofeita, passei pela confeitaria para levar o croissant que comi pelo caminho e fui à loja onde sabia que havia o que queria (nunca pensei ir de Crocs a um casamento, mas foi isso mesmo que aconteceu). A coisa até me saiu melhor do que a encomenda: ao ver-me desconfiada da tira no peito do pé, o senhor da loja avisou-me que aquilo saía. Experimentei com e sem tira e, sim senhor, é mesmo isto, em menos de 10 minutos estava o assunto resolvido (nunca demorei tão pouco a comprar uns sapatos, porque com esta barriga já não é fácil chegar aos pés). Quando descobri a solução mágica das meias elásticas durante a noite já não fui a tempo de ir à procura delas. O casamento foi dureza, porque o almoço-lanche foi serviço em pé e não há pés de grávida que aguentem a tanto tempo sem uma cadeira (depois, quando a cadeira chegou, já estava tão descadeirada que o que queria mesmo era um sofá ou uma cama onde me pudesse esticar). Os sapatos até se portaram bem e os pés até não pareciam muito deselegante, mas não haja dúvidas de que incharam: voltei a calçá-los ontem de manhã e estavam tão largos que quase os perdia pelo caminho.

domingo, 7 de setembro de 2008

O meu avô fez 94 anos e sempre que diz a idade dispara um "não tenho dor nenhuma" em jeito de aviso. Também já avisou que quer ver o João jogar futebol (ou terá sido que o vai levar ao futebol?). Ontem, no casamento, olhava para os outros velhinhos de bengala, todos mais novos do que ele, com alguma superioridade. Ontem, para ir ao casamento, baldou-se aos comprimidos e aos litros de água recomendados pelo médico, para poder estar mais à vontade. Comeu camarões e bolo com a satisfação de uma criança e via-se que estava mesmo feliz.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

As sandálias que comprei esta estação, num material super-mole, já a antecipar eventuais males da gravidez, não me servem. Tudo o que se aproxime um bocadinho do peito do pé não me serve, aperta-me nos tornozelos que desapareceram. Lá se foi a solução para o casamento - e eu até tinha saído da loja toda contente por resistir à compra de uns sapatos onde os meus pés inchados não pareciam tão feitos.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Comentário horrorizado com a minha mãe - a filha da senhora fulaninha de tal tinha cinco quilos quando nasceu...
A minha mãe, como se fosse a coisa mais natural do mundo - o teu irmão tinha 4.500 Kg...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Já não tenho pés, tenho bombos (e um casamento onde os levar com uma dignidade que começa a parecer impossível).

Já não tenho barriga, tenho uma melancia peluda. Passei meses a achar que, se calhar, estava pequena demais. Agora, aparentemente, começa a sofrer do mal contrário:

Tentativa de comentário cúmplice da senhora de uma loja, hoje à tarde - Já está quase...
Eu - Pois, já faltou mais...
Ela - Quanto tempo falta?
Eu - Dois meses...
Ela - silêncio e olhar de quem pensava que faltava menos tempo
Eu, tentando quebrar o gelo - Está grandinho, não é?

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Há dias em que choro por tudo e por nada, e penso que se calhar estou deprimida. Depois, tenho ataques de riso antes de me ir deitar e acordo aos risinhos com vontade de fazer piadinhas. Se calhar estou louca.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Às 19h20 desisti - atirei-me no sofá, os pés gelados, a cabeça e o corpo muito cansados, e fechei os olhos. Não adormeci profundamente, mas passei pelas brasas. Render-me ao cansaço foi um grande prazer. Tenho tentado resistir às sestas para dormir melhor à noite, mas nem uma coisa nem outra. Tento ocupar todos os minutos para não me sentir sozinha, e portanto também não me tenho dado ao luxo de me render e não pensar em mais nada. Agora percebo que no início, quando o sono e o cansaço eram muito mais fortes e mais incontroláveis, devia ter-me deixado estar ainda mais colada ao sofá, sem tentar contrariar a preguiça, apenas à espera que passe, porque passa.

27 semanas

Os meus ombros são um amontoado de músculos tensos. Deitada de costas ou sobre o lado direito tenho palpitações (parece que o útero pressiona a veia cava, ou lá o que é), virada sobre o lado esquerdo já não consigo estar, e não há almofada entre as pernas ou a apoiar a barriga que me salve.

Às vezes achava que ele me dava pontapés tão fortes que me estremecia, mas achei-me uma exagerada até encontrar um blog onde uma grávida se queixa do mesmo (faria o link para o dito blog, mas isso ia demorar tempo até perceber como fazer o link e estou com tantas dores nas costas que tenho de acabar o trabalho para sair desta cadeira).

No início achei que ia recambiar a roupa toda para a empregada da minha mãe lavar e passar. Depois, achei que ia gostar de ser eu a lavar e passar pelo menos a roupa que comprei (a outra, a maioria, foi dada). Resolvi fazer pelo menos uma máquina e, apesar das dores nas costas, apesar dos pés inchados, não quero outra coisa: ontem ocupei as pausas a olhar para a roupinha no estendal, parava para ir ver se já estava seca só para olhar para ela mais de perto outra vez, passei-a a ferro durante umas boas duas horas com a preocupação de a ordenar por tamanhos e com paragens para o imaginar dentro daquelas coisas tão pequeninas e ainda não a guardei nas gavetas porque achei que tinha de explicar ao P. a ordem estabelecida.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A barriga está maior e ele cada vez mais presente, na dimensão e nos movimentos. Ficou ainda mais difícil pensar noutra coisa que não seja o bebé, e eu achava que já pensava muito. Distraio-me do que me dizem ao telefone, porque ele está a mexer e eu quero sentir e ver tudo. Páro a escrita porque a barriga parece diferente e quero tentar perceber-lhe a posição. Recomeço a escrita aqui porque, depois de parar o que estava a fazer pela milésima vez ao dia, mais vale escrever sobre isto, e com isso tenho transformado este blog num babyblog. Ao fim do dia, quando me deito no sofá, consigo passar horas a olhar para a barriga a mexer e pergunto-me quantas horas conseguirei ficar só a olhar para ele. Faço-lhe muitas festinhas e penso que a gravidez realmente é uma coisa imensa. Nestes nove meses treina-se tudo: a paciência, com o tempo que nunca mais passa, com a barriga que primeiro parece que não cresce e depois cresce e pesa, com as hormonas que nos deixam irreconhecíveis e que não nos deixam outro remédio senão ter isso mesmo - paciência, até que passe; a ansiedade e as dúvidas (estará tudo bem? isto será normal? será que vai ser perfeitinho? será que vai doer? será...); o cansaço, com o peso do inchaço nas pernas e a Ikea ou as prateleiras do supermercado para percorrer mesmo assim, com as noites que passamos a dormir sem estar bem a dormir, porque sonhamos como umas tolas e só podemos acordar cansadas ou porque passamos o tempo todo a arranjar posição para a barriga; e o afecto (incrível este sentimento que começa já agora, quando ainda nem sequer o vimos e damos por nós perdidos de amores, de um afecto que nunca tínhamos tido). Imaginar que tudo isto vai crescer quando ele nascer nem é o que me fascina mais. O que realmente me intriga é já sentir tudo isto (e realmente não se consegue explicar).

sábado, 9 de agosto de 2008

Uma grávida sonha muito, mesmo muito, ninguém diga que sabe o que são os sonhos antes de engravidar (também ninguém diga que sabe o que é ter sono, mas isso é outra questão). Tenho tido os sonhos mais incríveis e acho que só posso ter sonhado que as fraldas de pano que a minha tia me deu eram de linho do Egipto. Hoje descobri-as no meio da confusão que andei a arrumar e o rótulo diz que são 100% algodão e nada sobre a proveniência...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Estou já perfeitamente consciente de que 12 fraldas de pano me vão fazer muito jeito. Já tenho em mãos um belo pacote de 12 fraldas de linho do Egipto (acho que foi isto que li no rótulo e posso apostar que este é o rótulo original de quando estas fraldas chegaram ao mercado - nunca pensei que ainda fosse possível algum produto manter um rótulo tão antigo, achei que já só fosse ver alguma coisa do estilo no Conta-me Como Foi). Em nome da honra das fraldas de pano, quero aqui avisar todas as futuras mães para não menosprezarem as fraldas de pano, porque isto é coisa de que não se fala nos livros de grávida (não nos que me emprestaram, pelo menos) e eu já tive que ouvir não sei quantas mães a dizer que as fraldas de pano são uma maravilha, servem para tudo, nunca uma mãe deve dizer mal das fraldas de pano. Eu, na verdade, não disse mal, só não imaginava que fossem precisas tantas, mas mesmo assim retiro o que disse.

terça-feira, 15 de julho de 2008

A minha tia dá óptimas prendas e prendas muito más, não me lembro assim de algo intermédio que não fosse carne nem peixe. Ela arrisca nas prendas, não é cá de indecisões e, portanto, o presenteado ou as ama ou odeia (como odiei a camisola preta supostamente idêntica a uma que a Lídia Jorge usou numa entrevista). Ontem, conversa assustadora ao telefone:

Ela - comprei-te um saco de fraldas
Eu - ah, está bem, obrigada (fixe, menos um que tenho de comprar, pensei eu)
Ela - depois tem de se lavar, é para aí um saco de 12...
Eu - lavar, as fraldas, compraste fraldas de pano?...

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Fiz uma pausa para o lanche, liguei a televisão e fiquei meia abismada a ver o Contacto da SIC. Uma telespectadora acabou de ganhar quase 70 mil euros com um telefonema. Uma pessoa aqui a trabalhar a tarde toda... mais vale ficar a ver televisão.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

A notícia já tinha chegado via telefone, mas como sou muito desconfiada quis esperar que a carta chegasse (desde que a Clix me disse, via telefone, que tinha direito a um desconto que depois afinal não tinha, fiquei assim, só acredito nos papéis). Afinal, tenho direito ao subsídio pré-natal - uma fortuna, imagine-se, não chega a 90 euros. Quem esperava um não-é-muito-mas-faz-me-muito jeito, esqueça, não que seja mentira, mas é por essas e por outras que tantas vezes parece que nós, os portugueses, temos lorpas escritos na testa. Ainda por cima quase vou ter de pedir licença para poder gozar uma parte da licença de maternidade, portanto não estou para grandes agradecimentos. A carta não explica, mas desconfio que ainda não se trata de um passo atrás na recusa dos subsídios aos trabalhadores independentes - estou quase certa que é por ser mãe solteira, tadinha de mim.
A minha mãe já lhe chama Joãozinho, disse que eu tenho uma barriga muito jeitosinha e ofereceu-se para levar as futuras roupas dele para lavar (não me conseguiu apresentar grandes justificações, mas diz que tem de se lavar tudo à mão, pelo menos no início).

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Ele rebola-se muito na minha barriga enquanto estou sentada ao computador a trabalhar e isso faz com que seja mesmo muito difícil concentrar-me. É como se o meu corpo estive sempre a avisar-me que é com ele que tenho de me preocupar, e o meu corpo faz isso com tanta insistência quando estou ocupada que quase me sinto culpada quando ele, mais sossegado, permite que me distraia da gravidez. Às vezes por mim a pensar, um bocado preocupada: nos últimos 15 minutos nem me lembrei que estava grávida.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Eu achava que isto das grávidas de pés inchados era só nos casos em que a grávida estivesse muito tempo de pé, ou andasse muito, ou já estivesse com uma barriga daquelas enormes, não para mim, que nem ando muito a pé nem estou muito tempo de pé, muito menos nesta fase, porque só agora é que a minha barriga começa mesmo a parecer barriga de grávida. Mas não, os pés incham e pronto. Até as havaianas consigo sentir apertadas no peito do pé que de repente ficou rechonchudo.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Não doi, e também não assusta. Mas dou por mim a surpreender-me de uma forma que não consigo descrever quando ele me dá uns pontapés mais fortes. E a minha reacção a esta surpresa, ao fim de uns poucos mais violentos, é sorrir sozinha, como se sorrisse para ele, numa atitude cúmplice que gosto de imaginar que ele também tem, porque foi assim que nos ensinaram a lidar com esta vida dentro de nós (embora às vezes também pense que, se calhar, ele está ali na vida dele, não está propriamente a tentar comunicar comigo). Na verdade, nem sei bem se isto são pontapés. Às vezes parece que, ao dar grandes voltas no meu útero, ele faz ondas no líquido amniótico e é isso que eu sinto mexer cá dentro. Andei três meses a sentir só o pior das hormonas e a maldizê-las o tempo todo, para chegar aqui e ficar assim, babada com isto.

No início zanguei-me um bocado com aquelas grávidas que vi andarem em estado de graça o tempo todo, ou que me apresentavam relatos de como é suposto tudo ser lindo e gracioso (ou, suprema irritação, aquelas que, ex-grávidas ou mais virgens do que eu nestas coisas da maternidade, falavam comigo como se tivesse de estar tudo lindo e maravilhoso). Mas agora acho que, se calhar, elas, as ex-grávidas, apenas se esqueceram da espera. E também não sei se, de livre iniciativa, terei coragem de contar às próximas que aquele estado de graça não é bem assim. Porque acho que ele acaba por chegar, só não é bem aquilo que idealizámos que seria...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Primeiros contactos com o que parece ser uma forte tendência persuasiva da avó, a propósito do nome do bebé:

Eu - O que achas de David?
Avó - Ah... Hum... David.... sim, é giro...
Eu - Não gostas?
Avó - Gosto... Gosto... E Afonso?
Eu - Agora todos os meninos são Afonsos, Afonso não... Também gostamos de João. Preferes David ou João?
Avó - Hum... Ah... Hum... João... E Gonçalo? O teu irmão gosta de Gonçalo. E Francisco? Francisco!
Eu - Ó mãe... São nomes muito queques e os miúdos agora chamam-se todos assim.
Avó - Não são nada queques...
Eu - Então porque não os escolheste quando tiveste filhos?
Avó - Porque não estavam na moda...
Eu - Estás a ver, é essa a questão. Agora estão na moda e todos os miúdos se chamam assim
Avó - E não... Afonso! Afonso é giro... Francisco! Gonçalo!
Eu - Ok, mãe, pronto, deixa lá...

quinta-feira, 26 de junho de 2008

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Contas

Não sou muito boa em contabilidades e percentagens, mas o que tinha lido já me tinha deixado com a sensação de que as mudanças que estão a fazer ao Código de Trabalho não iam ser lá muito boas para mim. Hoje, um jornal faz as contas e confirma-se. Ah, sim, maravilha, as empresas para as quais trabalho vão pagar 5 por cento da contribuição para a Segurança Social, mas eu, como ganho mais de 900 euros mensais (grande fortuna) vou pagar uma contribuição mais elevada do que a que pago agora, e já são 195,56 euros, todos os meses. Não sou lá muito boa a fazer contas porque, na verdade, não quero ter o rigor que me permita ter a certeza que, dos 1000 euros que recebo, me vão passar a sobrar menos de 600, depois dos 200 euros da retenção na fonte, dos mais de 195,56 euros para a segurança social, dos 50 euros de telemóvel e dos 30 euros de Internet usados para fins profissionais. Isto, claro, sem falar na renda da casa, na água, luz, comida e nas fraldas do bebé que aí vem... Se eu fosse boa a fazer contas já tinha percebido que ando a pagar para trabalhar.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Hoje, ao terceiro dia de bom tempo, e depois de uma tarde a ver bebés, a minha casa sabe a casa e a cimento quente nos pés.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Não tive a sorte de conseguir adaptar as minhas roupas de sempre ao meu corpo de grávida. Já tinha feito uma revisão no armário, e, achava eu, haveria muita coisa que conseguiria usar. Mas os vestidinhos evasés por baixo do decote, embora me sirvam na barriga, ficam-me apertados no peito e as t-shirts ficam-me a meio da barriga, quando a minha barriga ainda nem vai a meio. A roupa de grávida não é lá muito bonita e é muito limitada: nas outras lojas, há sempre novidades, nas lojas de roupa de grávida a roupa é (pelo menos, parece) sempre a mesma. Ontem, tanto pesquisei, que consegui encontrar umas roupas giras e coloridas nas lojas de roupa normal, e pude finalmente deixar de lado o raio da túnica preta comida pelas traças que vesti, nestes últimos meses, vezes sem conta.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Estou cansada, saturada, e mais cansada, e os olhos parece que se fecham sem eu querer, e teimam tanto em fechar que eu só quero fechá-los, mas não posso, parece que me arrasto e depois fico desatinada, tanto estou bem como estou mal, tanto estou a rir como a chorar, não admira que ele tenha medo de ser esquartejado pelas minhas hormonas, eu própria acho que estou a ser esquartejada por elas, devagarinho, aos pouquinhos para não se dar conta. Chego a um ponto em que não sei se é mesmo cansaço ou se é só cansaço provocado pelas hormonas - andar aos altos e baixos durante um dia inteiro, semanas a fio, não é coisa fácil de aguentar. As mulheres perceberão melhor a imagem, os homens que lidam com elas de perto também devem conseguir: imaginem que alguns dos sintomas da tensão pré-menstrual, em vez de uns dias, duravam semanas ou meses... Pronto, é mais ou menos isto que eu sinto, mas é muito mais complexo do que isso. Só queria ir de férias, mas queria ir teletransportada, sem ter de fazer malas, sem horas de viagens, sem telefonemas para ver se há vagas, sem pensar mesmo em nada, como se as férias viessem ter comigo.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Diálogo na Segurança Social, no momento da entrega dos papéis para pedir o novo subsídio pré-natal, criado pelo Governo para incentivar a maternidade:

O senhor da SS, ao olhar para a declaração de rendimento - Ah... é trabalhadora independente?
Eu - Sou...
O senhor da SS - Ah... mais uma que não vai receber...
Eu - Porquê, os trabalhores independentes não têm direito?
O senhor da SS - Não têm recebido. Você não viu nos jornais? É que eles consideram os rendimentos dos trabalhadores independentes como sendo lucro...

Vim de lá um bocado indignada. Os cerca de 50 euros que, de acordo com a simulação da SS, eu devia receber, iam ajudar pelo menos a pagar uma parte das consultas e exames pré-natais. Mas, afinal, isto não se ficará por aqui. Não é só o abono pré-natal que não vou receber. Depois da criança nascer, parece que também não terei direito ao abono de família, como fiquei a perceber melhor depois de encontrar esta notícia do Correio da Manhã:

27 Abril 2008
Prestações familiares
500 mil perdem abono
Meio milhão de agregados familiares perdeu o direito ao abono de família. O facto surge porque a Segurança Social considera que os rendimentos dos trabalhadores independentes são constituídos por "todos os proveitos sem consideração de quaisquer descontos relativos a despesas, custos ou outras deduções". Uma interpretação que é contestada pela Provedoria de Justiça e por vários especialistas, que consideram estarmos em presença de uma atitude de "má-fé" por parte do Estado. Segundo apurou o Correio da Manhã junto da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas (CTOC), cerca de 500 mil famílias estão a ser atingidas por esta interpretação restritiva do decreto-lei 176/2003 de 6 de Agosto, que define as bases da atribuição do abono de família.
Segundo contas feitas pela CTOC, e tomando por base um agregado familiar com dois filhos (com direito a abono), as poupanças realizadas pelo Estado com esta medida podem chegar aos 50 milhões de euros por mês.
A lei que define os rendimentos de referência para atribuição do abono de família foi aprovada no Governo de Durão Barroso, quando Bagão Félix era ministro do Trabalho e da Segurança Social. A interpretação dos serviços que considera que o rendimento é igual a todos os proveitos obtidos (sem dedução de custos) está em vigor há três anos, e só agora, com a renovação das declarações de rendimento para efeitos de atribuição de abono de família e com o cruzamento de dados entre a Administração Fiscal e a Segurança Social, é que as famílias estão a dar conta de que perderam o direito àquela prestação social.
'A interpretação feita pela Segurança Social está absolutamente à margem do espírito do legislador. O objectivo da Lei é compensar as famílias financeiramente pelos custos associados à criação dos filhos', afirmou ao CM Domingues de Azevedo, presidente da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas (CTOC).
O Governo tem uma interpretação diferente. O ministro do Trabalho, Vieira da Silva, tem pareceres que validam a interpretação da Segurança Social. No entanto, o ministro considera que este regime tem de ser mudado, 'mas de uma forma integrada'. Aquele governante refere que o Código do Trabalho tem consagrada uma alteração da base tributária para levar em conta os rendimentos e os custos dos trabalhadores independentes.
CASAL PERDE 63 EUROS MENSAIS POR DOIS FILHOS
M. Coelho é uma das contribuintes que está sem receber o abono de família pelos seus dois filhos menores, de 12 e seis anos. Estranhando a falta de pagamento no dia 22 de Janeiro, como habitualmente, dirigiu-se a uma Loja do Cidadão. O esclarecimento chegou, mais tarde, por carta: não tinha direito aos 63 euros mensais porque o valor considerado pelo Instituto de Segurança Social como rendimento tinha sido de 167 mil euros. M. nem queria acreditar: aquele era o valor da venda de pescado congelado da sua loja durante um ano inteiro, sem considerar o custo da mercadoria nem sequer as despesas inerentes a um estabelecimento comercial. Na verdade, o seu rendimento bruto tinha sido de 11 806 euros. 'É uma injustiça. O meu rendimento foi de 11 806 euros e não os 167 mil euros que o ISS considera', afirma ao CM, sublinhando que aquele valor diz respeito às vendas. M. Coelho recorda que paga actualmente 195 euros mensais em contribuições – há dois anos pagava 119 euros –, pelo que tem 'todo o direito' a aceder ao abono de família.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Passou-me tanta burrice pelos olhos e pelos ouvidos durante a última hora que ou mudo de profissão, ou elouqueço. Ou, simplesmente, a profissão acabará por me expulsar do sistema. Se a imbecilidade lisboeta pagasse imposto...

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Bebé

Não me interessa que seja ainda tudo muito frágil e que o tamanho que hoje vi na ecografia não seja realmente o tamanho dele, mas vê-lo ali a acordar num piparote e a não parar quieto como se estivesse na hora do recreio, fez-me sentir pela primeira vez que já tenho um filho.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Herói

O computador já andava a ameaçar há uns bons meses: teclas a saltar, drive dos cd's avariada, lentidão a mais para a minha falta de paciência. Ontem, aconteceu, morreu. Ficou infectado por não sei quantos vírus, impossível de trabalhar com tantas janelas a saltar. Já seria meia-noite quando isto aconteceu, ele no computador, eu a olhar para a televisão já com os olhos a piscar. Ainda tentei desligar e não me desviar do sono para ficar preocupada porque hoje não ia conseguir aceder às pastas que precisava para trabalhar em fecho antecipado. Não consegui, o nervoso foi crescendo, mas por que raios não fiz o back up do que era essencial, por que carga de água me deu, àquela hora da noite, para lhe pedir para ele ver se me arranjava o novo álbum da Adriana Calcanhoto. Ele não é informático, mas parecia. Deu-se ao trabalho de formatar o computador da minha mãe que aqui andava à espera de substituir o velho, de lhe instalar todos os anti-vírus possíveis, de tentar ligar, desligar e voltar a ligar o outro computador na esperança de recuperar alguma coisa. Às 2h da manhã conseguiu convencer-me a ir para a cama. Eu fui, ele ficou. Acordei às 5h e ele continuava acordado, com os dois computadores, a máquina fotográfica e não sei quantos fios ligados uns aos outros, a transferir pastas. Amor há muita gente disposta a dar, mas uma noite de sono e paciência para aturar computadores, só mesmo ele. Não é só por isso que é o meu herói, mas desta não me vou esquecer tão cedo.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Durante três dias a casa-de-banho inundou de cada vez que se tomava banho, os senhores a dizer que vinham, que vinham, mas não conseguiam dar resposta a tudo, hoje vieram no momento menos oportuno, mas o pior mesmo é o cheiro nauseabundo que ficou na casa depois do problema resolvido.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Estou viciada em pão com manteiga e leite chocolatado, mas deixei-me seduzir por um croissant de chocolate, comido assim mesmo, em pé, à espera que a greve do metro se decidisse a enviar um para me buscar.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Perante os protestos da Inês, abdico da assinatura "vidas" e retomo a identidade de "charlote".

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Quando começar ou recomeçar é vivido como algo que tem de ser absolutamente perfeito (se não for desde o início, quando vai ser?), começar ou recomeçar não é fácil. Mesmo se o que se abandona já era de um cor-de-rosa enjoativo. Não foi por isso que mudei. Foi porque às vezes precisamos de recomeços, mesmo que sejam difíceis. Este demorou meses, ou mais. Muita da culpa foi do nome que não aparecia e que, na verdade, não apareceu. Apesar de todas as ausências (do nome perfeito, do tema perfeito e do momento perfeito), avancei. Não foi por nada de especial: foi só por causa do telefonema que devia ter sido de manhã cedo, que anda para ser durante o dia todo e que ainda não aconteceu.