segunda-feira, 1 de setembro de 2008
As sandálias que comprei esta estação, num material super-mole, já a antecipar eventuais males da gravidez, não me servem. Tudo o que se aproxime um bocadinho do peito do pé não me serve, aperta-me nos tornozelos que desapareceram. Lá se foi a solução para o casamento - e eu até tinha saído da loja toda contente por resistir à compra de uns sapatos onde os meus pés inchados não pareciam tão feitos.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Já não tenho pés, tenho bombos (e um casamento onde os levar com uma dignidade que começa a parecer impossível).
Já não tenho barriga, tenho uma melancia peluda. Passei meses a achar que, se calhar, estava pequena demais. Agora, aparentemente, começa a sofrer do mal contrário:
Tentativa de comentário cúmplice da senhora de uma loja, hoje à tarde - Já está quase...
Eu - Pois, já faltou mais...
Ela - Quanto tempo falta?
Eu - Dois meses...
Ela - silêncio e olhar de quem pensava que faltava menos tempo
Eu, tentando quebrar o gelo - Está grandinho, não é?
Já não tenho barriga, tenho uma melancia peluda. Passei meses a achar que, se calhar, estava pequena demais. Agora, aparentemente, começa a sofrer do mal contrário:
Tentativa de comentário cúmplice da senhora de uma loja, hoje à tarde - Já está quase...
Eu - Pois, já faltou mais...
Ela - Quanto tempo falta?
Eu - Dois meses...
Ela - silêncio e olhar de quem pensava que faltava menos tempo
Eu, tentando quebrar o gelo - Está grandinho, não é?
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Às 19h20 desisti - atirei-me no sofá, os pés gelados, a cabeça e o corpo muito cansados, e fechei os olhos. Não adormeci profundamente, mas passei pelas brasas. Render-me ao cansaço foi um grande prazer. Tenho tentado resistir às sestas para dormir melhor à noite, mas nem uma coisa nem outra. Tento ocupar todos os minutos para não me sentir sozinha, e portanto também não me tenho dado ao luxo de me render e não pensar em mais nada. Agora percebo que no início, quando o sono e o cansaço eram muito mais fortes e mais incontroláveis, devia ter-me deixado estar ainda mais colada ao sofá, sem tentar contrariar a preguiça, apenas à espera que passe, porque passa.
27 semanas
Os meus ombros são um amontoado de músculos tensos. Deitada de costas ou sobre o lado direito tenho palpitações (parece que o útero pressiona a veia cava, ou lá o que é), virada sobre o lado esquerdo já não consigo estar, e não há almofada entre as pernas ou a apoiar a barriga que me salve.
Às vezes achava que ele me dava pontapés tão fortes que me estremecia, mas achei-me uma exagerada até encontrar um blog onde uma grávida se queixa do mesmo (faria o link para o dito blog, mas isso ia demorar tempo até perceber como fazer o link e estou com tantas dores nas costas que tenho de acabar o trabalho para sair desta cadeira).
No início achei que ia recambiar a roupa toda para a empregada da minha mãe lavar e passar. Depois, achei que ia gostar de ser eu a lavar e passar pelo menos a roupa que comprei (a outra, a maioria, foi dada). Resolvi fazer pelo menos uma máquina e, apesar das dores nas costas, apesar dos pés inchados, não quero outra coisa: ontem ocupei as pausas a olhar para a roupinha no estendal, parava para ir ver se já estava seca só para olhar para ela mais de perto outra vez, passei-a a ferro durante umas boas duas horas com a preocupação de a ordenar por tamanhos e com paragens para o imaginar dentro daquelas coisas tão pequeninas e ainda não a guardei nas gavetas porque achei que tinha de explicar ao P. a ordem estabelecida.
Às vezes achava que ele me dava pontapés tão fortes que me estremecia, mas achei-me uma exagerada até encontrar um blog onde uma grávida se queixa do mesmo (faria o link para o dito blog, mas isso ia demorar tempo até perceber como fazer o link e estou com tantas dores nas costas que tenho de acabar o trabalho para sair desta cadeira).
No início achei que ia recambiar a roupa toda para a empregada da minha mãe lavar e passar. Depois, achei que ia gostar de ser eu a lavar e passar pelo menos a roupa que comprei (a outra, a maioria, foi dada). Resolvi fazer pelo menos uma máquina e, apesar das dores nas costas, apesar dos pés inchados, não quero outra coisa: ontem ocupei as pausas a olhar para a roupinha no estendal, parava para ir ver se já estava seca só para olhar para ela mais de perto outra vez, passei-a a ferro durante umas boas duas horas com a preocupação de a ordenar por tamanhos e com paragens para o imaginar dentro daquelas coisas tão pequeninas e ainda não a guardei nas gavetas porque achei que tinha de explicar ao P. a ordem estabelecida.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
A barriga está maior e ele cada vez mais presente, na dimensão e nos movimentos. Ficou ainda mais difícil pensar noutra coisa que não seja o bebé, e eu achava que já pensava muito. Distraio-me do que me dizem ao telefone, porque ele está a mexer e eu quero sentir e ver tudo. Páro a escrita porque a barriga parece diferente e quero tentar perceber-lhe a posição. Recomeço a escrita aqui porque, depois de parar o que estava a fazer pela milésima vez ao dia, mais vale escrever sobre isto, e com isso tenho transformado este blog num babyblog. Ao fim do dia, quando me deito no sofá, consigo passar horas a olhar para a barriga a mexer e pergunto-me quantas horas conseguirei ficar só a olhar para ele. Faço-lhe muitas festinhas e penso que a gravidez realmente é uma coisa imensa. Nestes nove meses treina-se tudo: a paciência, com o tempo que nunca mais passa, com a barriga que primeiro parece que não cresce e depois cresce e pesa, com as hormonas que nos deixam irreconhecíveis e que não nos deixam outro remédio senão ter isso mesmo - paciência, até que passe; a ansiedade e as dúvidas (estará tudo bem? isto será normal? será que vai ser perfeitinho? será que vai doer? será...); o cansaço, com o peso do inchaço nas pernas e a Ikea ou as prateleiras do supermercado para percorrer mesmo assim, com as noites que passamos a dormir sem estar bem a dormir, porque sonhamos como umas tolas e só podemos acordar cansadas ou porque passamos o tempo todo a arranjar posição para a barriga; e o afecto (incrível este sentimento que começa já agora, quando ainda nem sequer o vimos e damos por nós perdidos de amores, de um afecto que nunca tínhamos tido). Imaginar que tudo isto vai crescer quando ele nascer nem é o que me fascina mais. O que realmente me intriga é já sentir tudo isto (e realmente não se consegue explicar).
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