segunda-feira, 19 de julho de 2010

Pré-escolar

Pensei que fosse fácil, que bastava uma pesquisa rápida, mas percebi que é suposto toda a gente saber qual o horário praticado pelos estabelecimentos de ensino pré-escolar público - não consegui descobrir em lado nenhum. Mas já desisti da coisa: apareceu-me um calendário do próximo ano lectivo à frente e percebi que, mesmo que o horário me conviesse, as férias seriam tantas que o que poupasse com a transferência do João teria de ser gasto em inscrições em oficinas, workshops e afins.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Estou sozinha (sem marido) há uma semana e um dia e, anteontem (quando ainda nem uma semana tinha passado), não consegui resistir: pedi à minha mãe que viesse cá passar o fim-de-semana, porque a perspectiva de passar o fim da tarde de hoje e o dia todo de amanhã sozinha com o miúdo me parecia insuportável. Mais porque acho que lhe faz bem ver outra cara que não a minha do que pela ajuda. Ela ficou de dizer alguma coisa. Fiquei com medo que ela dissesse que não. Ligou agora a dizer que estava a caminho e eu fiquei com medo de a ter deixado um bocado alarmada com o meu medo - ainda que não lhe tivesse dito que estava com medo. So perguntei se queria vir, que estávamos sozinhos, mas disse como quem diz "podias vir, estamos a precisar". A minha mãe não é mãe de me fazer as vontades, por isso estranho quando ela faz. Estou preocupada porque acho que ela está preocupada comigo e também não é caso para tanto. A minha cabeça está a dar um nó.

Será possível

que o resultado da primeira semana de trabalho após as férias seja eu a olhar para a agenda num esforço inglório de multiplicar os cinco dias que ainda faltam gastar?

O resultado...

... da passagem pelos saldos foram uma camisola e um par de sapatos. Não vim de alma cheia, mas hoje de manhã estava absolutamente satisfeita com o meu plano de contenção.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Logo, quando sair (daqui a uma hora), vou aos saldos. Sozinha. Sem o carrinho de bebé, sem o João a puxar as etiquetas das roupas (quando passou a andar mais tranquilo e a não chorar quando enfiado nas lojas por demasiado tempo, passou a puxar as etiquetas das roupas) e sem ter de lhe dar bolhachas para conseguir experimentar umas calças que são mesmo aquilo que eu queria, que estão em promoção e que não vão ficar à espera que eu volte sem ele (aconteceu no domingo). Tenho em vista dois pares de sapatos e uma camisola, mas ainda não sei se o saldo que lhes foi aplicado me permitirá ter coragem para levar isto tudo para casa. Mas o mais importante é ir, sozinha. Depois vou ter de ir buscar o João, estacionar a quilómetros da porta de casa, aturar-lhe a birra que ele vai fazer porque vai querer sentar-se ao volante e ficar a brincar no carro, levá-lo ao colo, dar-lhe banho, fazer o jantar, dar-lhe o jantar (só a sopa, porque o resto ele come, ou espalha, sozinho), arrumar a mochila dele para amanhã, assistir pacificamente à troca desenfreada dos dvd's, preparar a minha marmita para amanhã, deitá-lo, pôr a roupa para lavar, apanhar a roupa do estendal, olhar para o monte de roupa que se amontoa no quarto e pensar que não aguento mexer mais uma palha, talvez amanhã, depois do trabalho, se a ronda pelos saldos de hoje correr bem.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Uma vida nova

Ainda não te fui visitar, e vou tentar não ir tão cedo, porque sei que só vou acrescentar mais confusão à confusão que deve girar à tua volta. Mas, mesmo com essa imagem de confusão, como te imagino é serena, com ela ao colo muito tranquila e com a sensação maravilhosa de ter uma vida nova nos braços. É das melhores sensações do mundo, essa de dar vida a uma vida nova, virgem, cheia de potencial, com todas as possibilidades do mundo. Perdem-se horas a olhar para estes seres tão pequenininhos que sairam das nossas entranhas, a deliciarmo-nos com aquela felicidade, a pensar como é possível termos feito aquilo e a embevecermo-nos com aquela coisa linda, tão perfeita, com aquele narizinho, aquelas mãozinhas, aqueles dedinhos todos. Quando foi comigo não consegui deixar de me sentir incomodada com a confusão à minha volta, com o telefone do P. que não parava de tocar e que ele não deixava de atender, com as visitas que me apareciam em casa sem eu querer, com quem me dizia "tens de descansar e aproveitar enquanto ele dorme" mas ao mesmo tempo estava em minha casa a impedir que eu descansasse e aproveitasse o sono dele, com alguns dos olhos postos nas minhas mamas enquanto ele mamava, com a casa de banho que ninguém limpava, com as dúvidas todas acerca de tudo o que dissesse respeito a tratar dele. Não deixes: tenta prolongar esse estado de graça, porque (mesmo quando são rabugentos) é mesmo muito bom quando eles são recém-nascidos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Um ano e um mês depois

Estou de regresso. Só agora, porque antes não havia cabeça para isto, só muito sono, tanto sono que o que sentia nem era sono, já era desorientação. Agora já durmo a noite toda, ou porque é o pai que lhe dá o leite, ou porque ele (como hoje) dorme oito horas seguidas. Ainda é (muito) cansativo, mas já nada se aproxima da loucura do dá de mamar, muda a fralda (às vezes muda a roupa toda), adormece, deita, vai tratar da tua vida a correr para ver se consegues descansar antes de ele acordar outra vez, deita-te, adormece, pronto, já está, acorda, dá de mamar, muda a fralda...
Foi difícil, muito difícil. Com o tempo a dificuldade vai-se esbatendo, mas eu acho que não quero esquecê-la, para não me tornar numa daquelas mães que diz que foi tudo muito fácil, que tudo passa muito rápido e deixa saudades e que o meu filho não dava trabalho nenhum, num discurso que deixa a vida das recém-mamãs parecer ainda mais difícil. Foi difícil, sim senhora, e ninguém me avisou o suficiente. A minha vida mudou, sim senhora, mas sou hoje uma mulher muito mais feliz. Faz-me falta dormir toda a manhã, pastar no sofá, fazer o que me apetece, sair à noite, ir ao cinema, comer sossegada, não ter mini-roupa para lavar e passar, não ter a roupa toda suja de leite e papa e sopas, não ter de pensar no que vai ser o almoço e o jantar? Faz. Mas a minha vida sem ele não era a mesma coisa, não tinha aqueles olhinhos brilhantes e marotos, não tinha aquele sorriso, não tinha aqueles abraços, não tinha aquele mimo.
Ele está lindo de morrer, é teimoso como tudo, dramático que só visto (chora mesmo, com as lagriminhas a correr-lhe pela cara vermelha da fúria) e sedutor (já sabe perfeitamente como me há-de deixar toda derretida e, na rua, dou por ele a fazer olhinhos a estranhos). Eu, apesar do cansaço, amo-o com um amor maior e isso faz de mim uma pessoa muito mais feliz.