sábado, 25 de setembro de 2010
D' Artacão
De manhã, quando acordamos, a televisão está ligada nos canais de notícias e ele costuma ficar atento a olhar, como se estivesse mesmo interessado (também acompanhou com atenção os Gato Fedorento e as suas entrevistas políticas na campanha para as legislativas, de tal maneira que, juntando estes dados ao seu ar sério, a senhora do infantário onde ele anda lhe passou a chamar "O Deputado"). Hoje estava a dar a revista de imprensa e no ecrã aparecia o Público. Ele olhava atento, apontou e disse "Ca-tão". Levantei os olhos do iogurte que lhe estava a dar e percebi que tinha reconhecido o D' Artacão (o jornal hoje vem com um DVD e o boneco animado aparece na capa).
Mudanças
Já perdi a conta ao que foi para o lixo: bibelots partidos, fritadeiras da La Redoute que não se conseguem lavar, latas enferrujadas, cremes fora da validade, cremes que não uso, verniz das unhas seco em frascos com décadas, botas cheias de mofo e bolor, frigideiras no mesmo estado, pratos partidos... Também pus umas tantas coisas de lado, para a minha sogra que ficou sem casa e vai ter uma nova: copos, muitos copos, panos de cozinha, almofadas, toalhas de mesa, vasos, baldes, açucareiros, travessas, suportes para guardanapos e já nem sei mais o quê. O resto está quase todo em caixotes e, mesmo assim, o resto é mesmo mesmo muito. Estamos a gerir o tempo que falta para a mudança com menos de meia dúzia de pratos e copos, muita da roupa já está guardada, o calçado quase todo também e a única coisa que já estava encaixotada de que precisei foi uma lâmpada. Pergunto-me todos os dias como é que acumulamos tanta tralha e porque é que precisamos de tantas coisas que não usamos mas que um dia podem fazer jeito. É que se isto já dá um trabalhão desgraçado a tirar do lugar e encaixotar, nem quero imaginar o que vai custar arrumar tudo no sítio.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Forte
De manhã, ao vesti-lo, entretem-se a tentar espremer uma embalagem de halibut. Quando consegue, diz "fóote" (forte).
No carro, a caminho do infantário pergunto-lhe quem é fofo. Ele estica-se todo na cadeira e diz "fóote".
O meu filho deve achar que é o super-homem.
No carro, a caminho do infantário pergunto-lhe quem é fofo. Ele estica-se todo na cadeira e diz "fóote".
O meu filho deve achar que é o super-homem.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Sopa passada
Outro dia, num restaurante de um shopping:
- Queria uma sopa passada
- É canja
- Ok, pode ser
sentados na mesa, à espera da canja que o empregado disse que levava mas que nunca mais chegava, ouço o barulho furioso de uma varinha mágica
- Não acredito, o homem está a passar a canja!
Estava mesmo. E não fui eu que não fui suficientemente explícita, que já me aconteceu responder da mesma maneira a outros empregados e nunca nenhum se tinha lembrado de tal coisa. E há uma razão para se aceitar que a canja não seja passada - é que aquilo fica mesmo uma mistela intragável.
- Queria uma sopa passada
- É canja
- Ok, pode ser
sentados na mesa, à espera da canja que o empregado disse que levava mas que nunca mais chegava, ouço o barulho furioso de uma varinha mágica
- Não acredito, o homem está a passar a canja!
Estava mesmo. E não fui eu que não fui suficientemente explícita, que já me aconteceu responder da mesma maneira a outros empregados e nunca nenhum se tinha lembrado de tal coisa. E há uma razão para se aceitar que a canja não seja passada - é que aquilo fica mesmo uma mistela intragável.
E agora?
No dia 1 do infantário 2 as educadoras tentam distraí-lo para eu sair sorrateiramente (para depois ele desatar a berrar quando perceber que me fui embora) ou digo-lhe, como sempre, "a mamã tem de ir trabalhar", vejo-o desatar aos berros e venho-me embora de coração apertado?
Ontem fomos lá com ele, fazer o reconhecimento do terreno. Esta noite não sonhei só com as mudanças, sonhei também com a educadora dele. Já não me lembro o quê. Só sei que acordei às 3h com um pesadelo estúpido, onde voava de carro pelo Porto enquanto conversava sobre coisas da maternidade com uma amiga e choquei com um Zepelin na zona de Massarelos.
Ontem fomos lá com ele, fazer o reconhecimento do terreno. Esta noite não sonhei só com as mudanças, sonhei também com a educadora dele. Já não me lembro o quê. Só sei que acordei às 3h com um pesadelo estúpido, onde voava de carro pelo Porto enquanto conversava sobre coisas da maternidade com uma amiga e choquei com um Zepelin na zona de Massarelos.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Educação
Concluo, depois de um dia de muitos nervos, que o que realmente me está a deixar muito nervosa é a mudança de infantário do João. Porque apesar do preço me parece um infantário mais pipi do que aquele onde ele estava e as coisas pipis deixam-me nervosa. Porque tenho medo de que não o consigamos pagar e que, daqui por um ano, tenhamos de voltar a andar à procura, a bater a todas as portas, a perguntar por horários, a fazer contas e mais contas. Porque tenho medo de não tomar a opção certa, de não escolher a escola certa, de não ter dinheiro para a escola perfeita, de não ter horário para qualquer escola. E porque ele vai mudar e eu estou angustiadinha que ele estranhe, que se sinta triste, que não goste dos amiguinhos e que fique lá o dia todo ansioso, à espera que o vá buscar, porque ainda não me esqueci daqueles olhos vermelhos de tantas lágrimas de um dia todo a chorar no primeiro dia do primeiro infantário, a uma semana de fazer quatro meses.
Esta mudança
está a dar tanto, mas tanto trabalho, que acho que deviamos ter mudado já para um T3, para antecipar necessidades futuras. É que no meio desta trabalheira toda não me consigo libertar da ideia de que quero mesmo ter mais um filho (e quanto mais penso nisso menos sentido faz - se mal consigo aguentar as coisas só com este, de onde vem esta vontade?).
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