segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Quase 34

Como boa egocêntrica que sou, sempre tive expectativas muito elevadas em relação ao meu aniverário. Nunca correspondidas, claro. Quando era miúda, o meu dia de anos era o dia do ano em que toda a família se reunia. Eu, em vez de perceber como era bom que a família estivesse toda reunida e que o meu aniversário fosse aquela festa toda, achava mal que o dia que devia ser para mim fosse para todos. E que todos parecessem mais centrados nos comes e bebes do que em mim. Depois comecei a fazer festas com os amigos, mas nunca ninguém me fez uma festa surpresa, e eu sempre quis ser surpreendida com uma festa. Ao mesmo tempo, tenho com esta festa surpresa que nunca tive uma relação de amor-ódio, porque sou uma egocêntrica tímida que foge quando é o centro das atenções, e também uma gaja que gosta de pensar e planear tudo, e dois segundos depois do fator surpresa já estaria a pensar na roupa que devia ter vestido, nos mil e um inconvenientes daquela festa, das horas a que me ia deitar, das horas a que teria de me levantar no dia seguinte para ir trabalhar. Sim, sou uma parva perfecionista e obcecada que não consegue descontrair, eu sei, mas tenho melhorado. Estou quase a fazer 34. Sem perspetivas de festa, de grandes prendas, só um bolo e os meus dois rapazes, talvez um almoço, não sei se me apetece ir ao cinema ou à praia e sinceramente não me interessa. Não preciso de grandes coisas para ser feliz, só nós chega.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Cansaços

Estou cansada. Penso em mudar de vida, mas depois pergunto que vida me daria direito a umas férias grandes com o meu filho. Era isso que eu queria. Não estar enfiada no trabalho enquanto está toda a gente de férias, dar ao meu filho o sabor de umas férias de verão decentes, memórias quentes de dias preguiçosos, sem pressas, sem nervos, sem doses massivas de dvd's infantis porque estou tão cansada que só consigo estar quieta no sofá e não consigo brincar com ele e já estou farta daqueles brinquedos e ele também deve estar, aquilo são coisas para brincar no inverno, quando sabe bem estar em casa. Com este calor deviamos andar na rua a comer gelados, nos baloiços ao fim da tarde, na praia ou na piscina, deviamos sentar-nos à porta de casa descalços a comer fruta fresca, mas não fica bem estar descalço na porta do prédio e e andar sozinha com ele na rua já não consigo, estou muito cansada.
Penso no que está mal e no que poderia mudar e constato que, mesmo que mudasse, teria na mesma de passar a roupa a ferro, fazer o jantar, limpar a casa, arrumar a roupa, separar a roupa para a meter na máquina, encher a máquina da loiça, esvaziar a máquina da loiça, pôr a mesa, levantar a mesa ao fim da tarde e isso é uma grande parte daquilo que me incomoda e me cansa. Mas não é a única. Se não andasse tão cansada talvez fosse mais fácil fazer isto tudo. Mas será que ganharia direito a umas férias mesmo grandes, dinheiro para uma casa e tempo para me sentar à porta dela ao fim da tarde?
Não sei bem o que é isto, se estou com uma súbita vontade de ser dona de casa ou se preciso desesperadamente de uma empregada.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Um galo, uma galinha e um ovo

Talvez para se sentir mais acompanhado, vem para a porta da cozinha enquanto estou a fazer o jantar. Atira-se para o chão, tira os sapatos, tenta calçar os sapatos, fala com o peluche como se estivesse a falar para uma pessoa e também faz de conta que fala pelo peluche (ontem o boneco dizia "estou tão feliz!", mas não consegui apurar porquê). Diz "mãe quero ajudar" e eu lá tenho de lhe dar um prato de cada vez para ele ir pousar à sala, parar o que estou a fazer para ver se o prato chega ao destino (até agora tudo bem, e fica tudo perfeitinho no sítio certo), abrandar o processo de retirar a loiça da máquina para ele sentir que me está a dar uma grande ajuda. Também se dá ao trabalho de percorrer os armários para fechar as portas e gavetas que deixei mal fechadas, mas quando não há nada para fazer ele segue-me os passos, saltarica entre as minhas costas e a minha frente, está sempre no meu caminho, resolve abrir e fechar as gavetas e os armários, pergunta "o que é ito" tantas vezes que já perdi capacidade de reagir, e ontem resolveu rodopiar até cair. Não andes à roda, joão, senão cais e magoas-te, olha que ficas zonzo, joão... PUM! Cabeça contra a ombreira da porta da cozinha, chorou, chorou, olha para isto, fizeste um galo. "Snif, snif, e uma galinha?". Sim, um galo, uma galinha e um ovo, essa cabeça está uma desgraça, não podes andar à roda.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O meu filho é um barco

Ontem não foi a primeira vez que usei brincos desde que ele nasceu, mas os brincos de ontem eram mais compridos do que o habitual e deviam ter um certo "je ne sais quois" que o fascinou. De manhã perguntou-me todo dengoso "o que tens?" e eu disse-lhe "são uns brincos". À noite insistiu, repetiu a pergunta, eu repeti a resposta e perguntei-lhe "gostas?". Ele disse "sim, são como as jewel pets". Ah? Eu sei que são uns desenhos animados, a que ele normalmente ele não dá grande atenção, e também por isso fiquei admirada com a comparação. Ainda perguntei se os jewel pets usam brincos, mas ele já não estava na mesma onda. Agora ocorreu-me que os bonequitos usam nas mãos uma espécie de varinha mágica que pode ser considerada parecida com os brincos e acho que só estou a escrever isto porque a minha vida às vezes parece um manicómio e ele hoje de manhã estava tão acelerado que me deixou zonza para o resto do dia. Fez corridas no corredor, tirou um sapato para enfiar lá dentro uma tosta, primeiro quis papa, depois quis as minhas torradas, depois as tostas, lembrou-se de fazer xixi quando já estavamos à porta do elevador, ele todo descontraído e saltitão, eu com não sei quantos sacos no braço, o da praia, o da roupa para vestir depois da praia, mais o boneco para ele adormecer, e o saco da minha comida, e a carteira, e acabei por me esquecer dos óculos porque tive de pousar tudo para ele ir à casa de banho, sempre aos saltos, sempre a mexer-se, hoje enquanto o vestia disse-lhe que ele parecia um barco, porque parecia mesmo, eu a tentar pôr-lhe o creme protetor e ele a navegar.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Coisas novas não!

O casaco era novo (3,99 nos saldos da Lefties) e ele não gosta de coisas novas. "Não quero, não quero!", "quero o outro", o outro foi para lavar, estava sujo, "mas eu quero!", mas não pode ser, enfiei-lhe o casaco com ele a espernear no chão, foi chorar pelo caminho, tive uma conversa sobre o assunto (parece que os outros miúdos adoram estrear coisas) com a empregada do prédio que encontrei à saída do elevador e depois lembrei-me que já no outro dia, quando ele nos viu a entrar na sapataria onde lhe comprei as sapatilhas que ele também não queria mas agora adora, atirou logo "não, não" e ia começar a fugir com a perspetiva de mudar de calçado, mas sossegou quando lhe disse "não é para ti, é para o pai".-

Tal mãe...

Sobretudo nos dias em que estou mais cansada, falo para ele e o que ouço é a minha mãe. As mesmas frases, os mesmos ralhetes e, sobretudo, o mesmo tom de voz. Assustador. Ele anda desde há algum tempo a responder com uma espécie de guinchos irritantes (nãaaaaaaaaooooooo!") que acho que são culpa minha.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

E porquê, e porquê, e porquê????????

Domingo, no Parque:
- O parque?
- Está aqui, filho, estamos no parque
- O parque?
- É isto, o parque é isto, tem árvores, relva...
- O parque?
- Sabes, há dois tipos de parques, os que têm baloiços e os que não têm. Este não tem.
(cinco minutos depois fomos embora e começo a achar que devia queixar-me a alguém pelo facto de a cidade do Porto não ter suficientes parques infantis com baloiços, que é desses que ele gosta)

Sábado, no Pingo Doce
- O meu gelado?
- Já vamos comprar, agora é preciso levar tomate, courgette, alface...
- E o meu gelado?
- Agora vamos ali aos iogurtes...
- E o meu gelado?
- O teu gelado vai ser a última coisa a levar, está bem?
- Sim... O meu gelado?
já na caixa:
- Este é o meu gelado?
- Sim
- É o meu gelado?
- Sim, é o teu gelado
- Este é o meu gelado?
- Olha, sabes, é o teu gelado, mas só vais comê-lo depois do jantar

Todos os dias:
- O que é ito?
- Não sei...
- O que é ito?
- É um ovo
- Não, o que é ito?

Em contrapartida:
À chegada do parque:
- Vamos ao parque comer um gelado?
- (ups) Não, sabes porquê? A mãe não trouxe dinheiro (não tinha mesmo). Noutro dia dou-te, está bem?
- Sim

Na sexta-feira:
- Posso comer gelado?
- Não, hoje é uvas (para a sobremesa), comes amanhã
No sábado, ao almoço:
- Hoje é gelado?
- Sim, vou buscar
E abro a porta do congelador e nada, tinham acabado.
- Olha, afinal não há, comes logo, pode ser?
- Sim
- (Ufa)