terça-feira, 14 de outubro de 2008

A barriga

Não quero crer que só agora a minha barriga se tenha tornado uma barriga de grávida sem sombra para dúvidas (será que até aqui andaram a achar que estava apenas gorda?). Mas hoje toda a gente pareceu reparar na barriga de 35 semanas. Na aula de yoga: "Está quase, não está?", "Já falta pouco, não é?". Eu, a sorrir, praticamente sem dizer nada. Elas continuaram: "Pois é, nota-se pela barriga", diz uma; a outra: "E pela cara, vê-se na cara" (aqui tive de dar o braço a torcer, embora me tivesse limitado a continuar a sorrir meia enjoada, porque, realmente, não me basta ter o nariz inchado, ainda está brilhante como se lhe tivessem puxado o lustro). No fim da aula, juntaram-se as alunas que estavam de saída com as que estavam a chegar, e o filme recomeçou, para muito pior - o balneário transformou-se numa algazarra de mulheres a falar sobre experiências do parto que eu não queria ouvir. Não sei se se percebeu que quase fugi. Quando me julguei a salvo, no supermercado, a menina da caixa resolve meter conversa: "Eh lá, está de esperanças... Está com uma barriguinha... Está quase, não é? E sente-se bem?". Eu sinto, tenho os pés que parecem uns balões e não me apetece estar aqui de pé, dava tudo para não ter de carregar estes sacos para casa, porque parece que tenho os ossos da anca a alargar e provavelmente tenho mesmo, mas o que me está mesmo a afligir é que toda a gente queira ter uma palavra a dizer sobre este assunto.

2 comentários:

Inês disse...

:)
A minha professora de hidroginástica também está grávida e de facto a animação no balneário é outra. Nunca houve tanto assunto de conversa, eheheh. Agora prepara-te porque nunca mais te vão deixar em paz: quando não for a barriga vai ser o próprio bebé a funcionar como desbloqueador de conversas. Beijos

dora disse...

Não sei o que é estar grávida de 35 semanas ou mais. E nem quero imaginar... Mas sei que um dos factores de sucesso de um parto é estar absolutamente farta de estar grávida.
Vais adorar desovar, minha amiga!

(e sim, desde que tive um bebé que entrei numa espécie de clube e montes de pessoas com que nunca tinha falado de repente são muito cúmplices)