domingo, 8 de agosto de 2010

Na praia

Li isto http://missdezembro.blogspot.com/2010/08/o-melhor-do-mundo.html (sou uma nulidade a fazer estas ligações, lamento) e lembrei-me da minha figura, há uma semana, na praia sozinha com o joão. Ele levou a mochila dos baldinhos e pázinhas e moinhos e forminhas às costas, eu carreguei o guarda-sol (já nem eram bem horas de irmos para a praia, quase 11h30), o pára-vento (não se podia estar sem ele), a mochila com as fraldas, toalhitas, pomada para o rabinho, bolachinhas, garrafinha de água, muda de roupa e porta-moedas para o caso de ser preciso, o saco com as toalhas (não, já não cabia na mochila) e o miúdo pela mão. Fui-lhe buscar um baldinho com água, assim brincas quietinho à beira do guarda-sol e eu fico sossegada. Mas não: olha que te molhas, sim, eu faço o castelinho, e o peixinho, e o cavalo-marinho, e agora tudo outra vez, molhaste a t-shirt toda, está frio para ficares assim. Hum, temos de a tirar, mas o balde ainda tem água, se a despejo vais fazer birra, tens a areia toda colada ao corpo, como é que eu te vou levar daqui para fora? Aqui vai a água, oh, já não há, dá cá essa camisola, toma lá esta t-shirt seca, brinquedos molhados e cheios de areia todos para dentro da mochila dos brinquedos, fecho o guarda-sol, deixa estar isto, joão, não mexas, enfio o guarda-sol no plástico que se está a desfazer, anda cá, joão, toalhas para dentro do saco, aí não se mexe, joão, mochila às costas, guarda-sol num ombro, saco das toalhas no outro, o pára-vento a esvoaçar, deixa estar joão, ainda te magoas, amasso o pára-vento de qualquer maneira, anda cá ao colo joão, mais 15 quilos de bebé com um mochila de brinquedos às costas no meio desta tralha toda não é nada.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Genética

Devo ter um gene trocado, uma anomalia genética, um defeito profundo que não me permite entender-me com a minha mãe. Isto acontece sobretudo quando ela está com a minha tia, o que acentua a possibilidade de eu ter um erro qualquer nos cromossomas. Se falo é porque vejo problemas em tudo, e nunca consigo falar de maneira a que ela diga "eu compreendo", "eu percebo a tua perspetiva" ou "tens razão". Se fico calada, fica aquele silêncio, aquela sensação de que andamos todas a engolir as palavras, que parece que só a mim me incomoda. Ela ajuda-me imenso, liga todos os dias a saber se está tudo bem, cuida do joão, fica com ele se tenho de trabalhar ou se decidimos ir para fora, compra-me frigideiras sem eu lhe pedir nada porque vê que as minhas estão um nojo e arranja-me palmilhas para uns sapatos largos porque sabe que eu vou andar meses para as comprar... Mas, mesmo quando faz estas coisas todas e muitas mais, eu fico a sentir, quase sempre, que fiz qualquer coisa mal... que devia ter agradecido mais, que não devia ter pedido, que devia ter comprado a frigideira, a palmilha, que não a devia ter incomodado... Eu gosto de estar com ela, só gostava que ela me fizesse sentir que gosta de estar comigo. E se isto fosse uma conversa entre nós, ela ia dizer que eu é que não a faço sentir apreciada. Receio bem que nunca consigamos sair desta pescadinha-de-rabo-na-boca.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Teve negativa ao sono...

... porque a primeira hora da sesta passa-a às voltas na cama, mas de resto foram só coisas positivas: diz que é sossegado e bem disposto, está confiante e à-vontade na sala, consegue manter a atenção nas atividades desenvolvidas durante algum tempo, já assinala as presenças dos colegas (elas mostram a foto e os meninos têm de dizer quem é - ele ontem foi o primeiro a assinalar três), faz algumas birras mas passa-lhe rápido (disse-me a educadora que há miúdos que não desviam a atenção daquilo que querem mas não podem ter e que ficam a chorar eternidades). Eu saí de lá com a sensação de que, afinal, ele até é bem sossegado, comparando com os outros.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Avaliação

Até agora limitava-me a levar e buscar, a saber se tinha estado tudo bem, se comeu, se dormiu, se fez cocó... Mas hoje tenho reunião de avaliação na escola do joão. Imagino que aos 20 meses não haja muito para avaliar, mas acho muito chique e até estou um bocadinho nervosa.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Se não os podes vencer...

... leva-os contigo para a depilação. Foi o que fiz, no sábado. Depois de passar dias e dias a olhar para a agenda sem conseguir encaixar a depilação num dos dias em que o P. está de folga, decidi arriscar: esperei que o joão acordasse da sesta e lá fui eu fazer a depilação com ele sentado em cima de mim. Correu muito bem, portou-se lindamente e ainda achou tudo aquilo bem divertido.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Tenho saudades

das noites de sono profundo e descansado das férias, de chegar à cama e apagar, de não passar a noite a dormir ao mesmo tempo que dou voltas na cama às voltas com os pensamentos que não consigo resolver durante o dia (não é nada de especialmente profundo, o meu problema é mesmo o dia-a-dia: o trabalho, o joão, a roupa para passar, a casa para arrumar, ir ao supermercado, ir à consulta, o que vou fazer para o jantar, esta semana não consigo encaixar a depilação em lado nenhum, no próximo mês também quero ir ao cabeleireiro, e ainda quero ter tempo para nós). A minha cabeça é uma agenda a tentar organizar-se a si própria, de dia e de noite.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Memória futura

Acho que lhe nasceu o primeiro dente em agosto do ano passado, tinha ele nove meses. Começou a gatinhar também no verão do ano passado, antes de agosto, mas não sei ao certo quando. Começou a andar sozinho ainda não tinha um ano, mas não gostava de andar sozinho, de maneira que foi preciso esperar até dezembro, quando tinha 13 meses, para conseguir que ele me largasse o dedo enquanto andava. No sábado aprendeu a dizer caca, mas as palavras preferidas são mesmo "mamã" e "papá". Também diz bá (água), tiá (bolacha e Tiago), tió (iogurte), pá (pão), bó (avó), bi (rui), pé (pedro), na (xana), nó (nodi), padá (panda), mitei (mickey), patá (pateta) e acho que não diz muito mais. Tem 20 meses, calça o 23 quase a passar para o 24, veste roupa de dois/três anos, adora bolachas e ao resto da comida também não diz que não, há coisa de um mês deixou de acordar todas as noites, ou quase, para beber o leite, mas não se esquece dele antes de se ir deitar.